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Saudações! O artigo de hoje é sobre um tema bastante discutido na comunidade. RNG! Depois da bagunça que Yog fez por um bom tempo a comunidade ficou saturada da quantidade de rng presente em Hearthstone e vocês podem conferir uma parcela do problema que isso causa ao jogo logo abaixo. Boa leitura!

Escrito originalmente por Alex Church, traduzido por Yuri Navarrette

A criação de cartas com RNG continua a ser uma tradição em Hearthstone, com novas cartas surgindo como Glifo primordial e velhos clássicos como Roubadachim e Mensageira do Kabal. Mas isso é frustrante para o próprio bem do jogo?

 

Todos nós já estivemos nessa situação. Nós lutamos arduamente em um jogo equilibrado contra um deck muito forte. As coisas ficaram esquisitas por alguns turnos, mas, após aquela jogada muito bem articulada, acreditamos ter atravessado esse obstáculo e já conseguimos vislumbrar a vitória. Jogamos em torno de cada carta do deck do oponente e a vitória parece estar garantida. Mas, no momento chave, uma carta gerada aleatoriamente anula nossas estratégias bem construídas e elimina nossa chance de vitória. Talvez o exemplo perfeito de como jogadas com cartas de RNG pode mudar completamente um jogo é o infame “Paveling Book” do campeonato mundial de Hearthstone da BlizzCon de 2016.

Enquanto acusações sobre RNG-dependência fundamentalmente subestima a impecável visão de jogo e habilidade de identificar as melhores possibilidades de “Pavel” Beltiukov, é difícil não simpatizar com William “Amnesiac” Barton enquanto seu Malygos é aniquilado pelo Livro Murmurante de Pavel, o qual gerou uma Polimorfia, arruinando sua última esperança de vencer a partida e levar o campeonato.

ONDE DIVERSÃO ENCONTRA FRUSTRAÇÃO

A geração de cartas pelo RNG por decidir jogos e até campeonatos

O problema de RNG afetando resultados não é novo no Hearthstone. Enquanto alguns acham frustrante, a maioria das pessoas aceitam certo grau de aleatoriedade como uma parte natural e até saudável do jogo, indo além da simples compra de cartas como fator determinante do jogo. O RNG é o que dá aquela apimentada no jogo, quebrando a mesmice da experiência do jogador. Entretanto, a frustração pode prevalecer sobre o entretenimento daqueles que acabam sendo privilegiados. RNG de cartas com alto índice de variedade em cartas como Tratador de Carneiros e Ruína do Destino dão aquelas jogadas excelentes que vão ficar gravadas na sua mente por um tempo, mas, por diversas vezes, pode fazer com que os jogadores sintam-se impotentes em face das massivas, inesperadas, opressoras possibilidades de resultados.

Teoricamente a geração de cartas pelo RNG é imune a essas grandes disparidades nos resultados de cartas que surgirão, fazendo com que um jogador seja recompensado e o outro punido por uma questão puramente matemática: supostamente, enquanto a qualidade da carta varia, tudo é muito balanceado em torno do custo da carta. Ao contrário de Ruína do Destino que pode garantir um Demonarca Temível por um preço menor, as cartas do Livro Murmurante, Roubadachim ou Glifo Primordial te força a usar o valor de mana original da carta que você ganha mesmo que seja de um valor alto (no caso do Glifo Primordial, admitidamente dividido em duas cartas). Então por que existem tantos jogadores frustrados com o RNG tanto no Constructed quanto na Arena?

ELIMINANDO A CONTRA-JOGADA


 “Como que eu vou jogar em volta disso?!” – Kriparrian, “A experiência do Mago na arena com Un’Goro”

 

Parte das frustrações podem ser resumidas na contrariedade de jogadores como Octavian “Kriparrian” Morosan. Como um jogador de Arena altamente técnico e com diversas conquistas, seus pensamentos e explicações de suas diversas linhas de jogo formam uma grande parte do valor de entretenimento de suas transmissões. É aqui que podemos coletar alguns insights nas questões que muitos jogadores têm com o RNG. Quando o Kripp perde devido ao RNG, o que dói mais para ele é que seu conhecimento e sua expertise foram intensamente punidos por seu oponente.

Ele frequentemente lamenta que sua habilidade torna-se irrelevante por ter que jogar em volta de cartas imprevisíveis e que não começaram no deck do oponente.

Em um vídeo recente ele explica sua frustração de como o conceito de “jogar em volta” torna-se irrelevante quando a variedade de cartas com potencial que o oponente recebe é tão grande que ajustar sua estratégia fica praticamente impossível. O melhor jogador e a maioria que fica na média são reduzidos pela ignorância dos segundos ao mesmo nível, sem que o jogador mais experiente tenha a possibilidade de avançar no jogo pois pode ser punido a qualquer momento.

UMA QUESTÃO DE ABRANGÊNCIA

Hidróloga – Um exemplo que deu certo?

Diferentes tipo de RNG podem ter diferentes impactos na percepção de diversão e de frustração dos jogadores. Algumas cartas geradas por RNG podem acrescentar grandes possibilidades de interações, contra-jogadas e jogadas que exigem muita habilidade. Há duas maneiras principais para que isso seja conquistado: carta com funcionalidade similar e limite de abrangência. Ambas, especialmente em conjunto com a dinâmica “descubra”, pode melhorar significativamente a experiência do jogo para o oponente que está jogando contra e está “recebendo” esses efeitos.

O melhor exemplo desses tipos de cartas são Hidrológa e Defensor da Colina. No caso do Defensor da Colina, ainda que tenha uma grande abrangência de cartas, tem toda sua dinâmica de descubra baseada em um único tipo de carta: provocar. Enquanto o status da carta e custo podem variar dependendo da situação, sempre vão acabar saindo cartas que podem ser tanto eficientes em mana quanto ser aquelas cartas menores que vão te fazer rir de nervoso. Porém isso não é totalmente verdade, enquanto no Guerreiro é uma ferramenta apenas para completar a quest, as possibilidades do Paladino podem variar muito mais devido à possibilidade de pegar cartas de alto valor ou reativas como Tirion ou Salvassol Tarim. Com esse exemplo podemos ver os riscos a que podem levar uma abrangência tão ampla de potencial em valor e tipos de impacto.

Ainda falando do Paladino, Hidrologista pode ser o melhor exemplo em que geração de carta por RNG deu certo. A abrangência de segredos do Paladino é inerentemente limitada, e tanto escolher o segredo correto e jogar em torno do potencial de opções do oponente são casos que exigem muita habilidade, com múltiplas oportunidades de blefe e manobras de saída de determinada situação. Jogar ao redor de um Kodo de Fuga  ou Redenção pode ser muito recompensante tanto para você quanto para seu oponente. A carta é bem sucedida por adicionar variedade sem sacrificar habilidade, interatividade ou contra-jogada.

EMPODERANDO JOGADORES

O futuro das cartas de RNG tem que se atentar para a questão da falta de esperança e da sensação de impotência que jogadores sentem quando eles são forçados a simplesmente ignorar o potencial da carta do oponente por simplesmente não poder prever o resultado devido ao grande número de possibilidades. Se o team 5 produzir mais cartas, elas deverão ter um grau de comunicação maior ao oponente de qual carta seria, ao invés de vastas e nebulosas categorias como “Cartas de Classe” ou “Magias do Mago”. Mecanismos como Cavaleiro de Marfim e Escavador Sibilante (apesar do último não ser viável competitivamente) têm um bom caminho andado nesse sentido, já que dá ao oponente uma informação maior do que está em sua mão. Outras ideias como comunicar a raridade da carta escolhida ou simplesmente ter a mecânica de “descubra” ou criar cartas a partir de uma abrangência mais limitada ou homogênea poderia melhorar a sensação de desamparo em face do opressivo RNG.

RNG é e deveria ser parte vital da experiência em Hearthstone, mas isso não é desculpa para frustrantes e desgastantes jogadas que sabotam toda a interatividade. A geração de cartas por RNG pode e deveria ser desenvolvida para favorecer a diversão e a variedade enquanto também incentiva a interação e as contra-jogadas.  

O RNG tem feito alguns jogadores profissionais abandonarem o competitivo e o Hearthstone e vemos abaixo um exemplo da insatisfação sobre o assunto.

Meu oponente jogou pior que um “bot” mas uma virada de sorte é tudo o que importa no meta atual


O que acham do fator RNG em Hearthstone? Tem algo a mais a acrescentar ao assunto? Deixe nos comentários!

Grande beijo e até a próxima.

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